O vice-presidente Hamilton Mourão disse hoje que o Governo
vai usar a diplomacia para responder ao descontentamento expresso por alguns
países europeus com o crescente desmatamento na Amazônia. “Temos de fazer
negociações diplomáticas, mas também sobre questões ambientais”, afirmou
Mourão, ao comentar uma carta enviada pelas embaixadas da Alemanha, França,
Dinamarca, Itália, Holanda, Noruega e Reino Unido, que alertava sobre os
possíveis impactos dessa degradação florestal em questões comerciais. “Os
nossos esforços coletivos para gerar maiores investimentos na produção agrícola
sustentável e melhorar o acesso a produtos obtidos de forma sustentável nos
mercados também podem apoiar o crescimento econômico do Brasil”, refere o
texto enviado pelos países europeus. O documento frisa, porém, que enquanto
“os esforços europeus procuram cadeias de abastecimento não vinculadas ao
desmatamento, a tendência atual no Brasil torna cada vez mais difícil, para
empresas e investidores, atender os seus critérios ambientais, sociais e de
governança”. Estas críticas, que já foram expostas ao Brasil há vários
meses por representantes de cerca de 40 fundos de investimento globais,
juntam-se a outras feitas por poderosas empresas, que se voltaram contra a
gestão ambiental do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Na terça-feira, cerca
de 200 organizações da sociedade civil, empresas do agronegócio e do setor
financeiro também apresentaram ao Governo uma série de medidas para reduzir o
desmatamento na Amazônia, que continua em níveis alarmantes. Mourão, que lidera
o Conselho Nacional da Amazônia Legal, entidade que coordena diversas ações
direcionadas para a preservação daquela que é a maior floresta tropical do
mundo, declarou que um dos primeiros passos da “ofensiva diplomática”
poderá ser a organização de uma viagem à Amazônia com embaixadores de países
europeus, para conhecerem a realidade da região. Mourão disse que o Brasil
“não nega ou esconde informações sobre a gravidade da situação”, mas
esclareceu que o Governo “não aceita narrativas simplistas ou
distorcidas” que, na sua opinião, prevalecem “em algumas partes do
mundo sobre a Amazônia”. O vice-presidente também reiterou que, em alguns
casos, principalmente quando se trata de países europeus, as críticas ao Brasil
pelo desmatamento fazem parte de uma “estratégia comercial”
relacionada com a proteção de mercados. “Existem barreiras tarifárias e
não tarifárias”, e essas críticas, “às vezes, são uma dessas
barreiras”, afirmou. Em 2019, que coincidiu com o primeiro ano de
Bolsonaro no poder, a perda de cobertura vegetal na maior floresta tropical do
planeta subiu 85%, para 9.165 quilômetros quadrados, o maior nível desde 2016,
segundo dados oficiais. Este ano, o desmatamento já atingiu 6.099 quilômetros
quadrados. Vários estudos indicam que quanto maiores são os níveis de
desmatamento, piores serão os incêndios na região, muitos deles de origem
criminosa, para transformar áreas florestais em terras para agricultura e
pecuária. A sociedade civil responsabiliza o discurso antiambientalista de
Bolsonaro por esses aumentos, com o chefe de Estado a defender também o fim da
demarcação de novas terras indígenas. A Amazônia é a maior floresta tropical do
mundo e possui a maior biodiversidade registrada numa só área (5,5 milhões de
quilômetros quadrados) do planeta. Abrange territórios do Brasil, Peru,
Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa
(pertencente à França).
