Em dezembro de 2020, 1.839.526 famílias baianas constavam
como beneficiárias do Programa Bolsa Família (PBF). Três meses depois, em
fevereiro, esse número caiu para 1.826.820, segundo dados do Comitê de
Assistência Social do Consórcio Nordeste, entidade que reúne os gestores dos
nove estados da região. A redução, de 12.706 famílias no período, foi a maior de
todo o Brasil, numa tendência negativa que persistiu em quase todo o Nordeste.
Em um documento disponibilizado em primeira mão ao Bahia Notícias pela
Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia
(SJDHDS), o comitê denuncia a retirada de 48.116 famílias nordestinas do
programa de dezembro para cá. O único estado da região a ter acréscimo de
beneficiários foi Alagoas, que agregou mais 496 famílias. Os demais seguiram a
situação da Bahia, com destaque para o Ceará, onde 8.639 famílias saíram do
programa, e Pernambuco, onde 7.550 famílias não recebem mais o benefício. De
acordo com o setor técnico do consórcio, isso significa que R$ 30.140.318,00
deixaram de circular na região, já que o valor do benefício médio passou de R$
193,55 para R$ 190,57.Além do Nordeste, apenas o Norte do país teve números de
perda, com o total de 13.014 famílias desassistidas. “É incompreensível, não
existe lógica além da perversidade, que explique os cortes de benefícios nas
duas regiões mais vulneráveis e com a maior parte da população mais pobre do
país. Em meio a um dos momentos mais difíceis, o governo corta benefícios de
quem mais precisa. É um absurdo que pode custar a vida de muitas pessoas”,
disse o secretário Carlos Martins, titular da SJDHDS.

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